A prefeitura estava em meio a uma tempestade quando Carlito Merss assumiu a cadeira de prefeito no início do ano. Já se passaram nove meses e o prefeito faz um balanço sobre o seu governo em entrevista ao Jornal Correio Joinvilense. Depois da tempestade todos esperam que venha a abonança. “Estamos limpando a cidade, em todos os sentidos”, afirma Merss se referindo a toda imundície jogada por debaixo do tapete na gestão anterior, desde as falcatruas como dívidas intermináveis, quando as sujeiras de valas, rios, bocas de lobo, realmente todo e qualquer lixo está sendo exterminado nesse governo. “Toda a manutenção da cidade foi abandonada, prova disso é o que passamos com as chuvas e consequentemente as cheias”, explica.
Correio Joinvilense: Qual a principal dificuldade quando assumiu a prefeitura?
Prefeito Carlito Merss: A maior dificuldade foi governar no escuro por não ter o amparo de um sistema de informática. Ainda hoje não tenho cem por cento de clareza, governo sem ter muita certeza quando envolve números da gestão passada. Sei no final do dia o balanço, porque pegamos o saldo do banco, assim, sabemos o quanto entrou e o que dá para pagar.
CJ: Como está o sistema de informática?
Prefeito: Além de limpar a cidade, tivemos que limpar a área de informática. Tivemos que romper com a empresa. Só conseguimos entregar a prestação de contas, de 2008, no último 31 de agosto. Aquele sistema de informática foi o maior engodo da história, foi pago R$ 9 milhões por uma coisa que nunca funcionou. Estamos com um contrato provisório com a empresa que já fazia o serviço [Iso/Cetil] e pretendemos legalizar isso até o final do ano. A empresa Aporte é uma marca que serviu para algum interesse menos para o sistema de informática da prefeitura. Nós tentamos, mas não deu, porque era uma farsa esse programa.
CJ: Qual a opinião do senhor com relação a CPI das contas?
Prefeito: É dessa forma que sempre governaram, escondendo tudo por debaixo dos panos e não seria diferente com a CPI. Porém, não poderia terminar assim, o relatório está no Ministério Público e espero que a justiça tome alguma providência. Ficou evidente, fizeram todo aquele barulho e acabaram dando o tiro no próprio pé.
CJ: Qual era o valor das dívidas da prefeitura?
Prefeito: No dia 2 de fevereiro o gerente do Tebaldi nos passou os números, que supostamente era de R$ 100 milhões. Na época me apavorei, quando comecei a colocar na ponta do lápis vi que realmente era esse valor, até mais do que isso, pois, a cada dia que passa, aparecem notas para serem pagas de anos anteriores. Há menos de dois meses apareceu uma dívida de R$ 2,7 milhões. Qual era a tática deles...eles se endividavam e quando chegava em dezembro solicitava às empresa que cancelassem as notas, para ser serem cobradas mais para frente, quando fecham a contabilidade batia os valores e foi dessa forma que a divida foi se arrolando e caiu no meu colo
CJ: Quanto que foi pago da dívida?
Prefeito: Do Hospital São José já foi mais de R$ 9 milhões, mas a questão não é somente se livrar da dívida são as vantagens nos valores dos materiais adquiridos. Por exemplo, nós pagávamos R$ 4,00 o metro cúbico do oxigênio, hoje é pago R$ 0,87. Outro exemplo, a empresa que fazia a leitura da água da Companhia Águas de Joinville cobrava R$ 230 mil por mês, quando encerrou o contrato fizemos uma nova licitação e a mesma empresa se candidatou, querendo cobrar R$ 146 mil, mas perdeu, pois a atual cobra R$ 132 mil. Só na companhia vamos economizar R$ 1,2 milhão, durante um ano.
CJ: O que será feito no Centro da cidade para melhorar o trânsito?
Prefeito: Vamos fazer uma requalificação nas vias para dar mais fluidez. Também vamos sincronizar as saídas dos ônibus com os corredores, vão ter apenas duas saídas, um para os ônibus que forem para a Zona Sul e outro para a Zona Norte, para acabar com aquela confusão na saída do terminal, às vezes, os motoristas demoram mais de 15 minutos para sair do trânsito central.
CJ: Qual o saldo nesses nove meses de governo?
Prefeito: Era meu sonho, mesmo com todas as dificuldades, estou muito feliz. Existem muitas vantagens de fazer parte do executivo, pois você vai lá e faz, tem autoridade para isso. Ver a alegria das pessoas, quando é entregue uma obra que vai facilitar a vida daqueles moradores ou proporcionar lazer, não tem preço. Para mim, ainda não é cem por cento, porque ainda temos muitas coisas a fazer para melhorar.
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